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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Mês quatro

Alguns gostam de fazer gols, como os meninos da Vila. Outros fazem o complicado parecer a coisa mais simples do mundo, como faz o melhor do mundo Messi. Tem pessoas que tem o dom de brincar com as palavras como Armando Nogueira, que foi escrever no andar de cima. Enquanto que uns se esforçam para traçar linhas, que só saem tortas, por pura brincadeira como este que vos escreve.

Tem gente que nasceu para desarmar bombas como o sargento James em Guerra ao Terror, tendo que cortar fios que ligam a vida com a morte. Enquanto que outros administram duas TPMs debaixo do mesmo teto com extrema facilidade e transformando a gritaria e aporrinhação em beijos, abraços carinhosos que terminam na conjugação do verbo amar, como Juan Antonio faz com Cristina e Maria Elena no sensacional e mais do que recomendado Vicky Cristina Barcelona de Woody Allen.

Existem pessoas que gostam de dar risada e falar besteira com os amigos em dia de chuva. Outras assistem, isolados no meio da multidão, um pôr-do-sol nublado e achando o cenário divino maravilhoso. Enquanto que há pessoas que iludem o povo jogando a culpa em São Pedro, pelos deslizamentos de terra. Porém os mais responsáveis e precavidos fecham aeroportos, em detrimento de bilhões de euros, para não culpar um vulcão pelas iminentes quedas de aviões e assim preservando milhares de vidas.

Umas estão no começo da vida e já estão preocupadas se vão ou não casar. Enquanto que outras, as vésperas da menopausa, estão marcando a balada de sexta-feira.

Tem gente que se mete a escrever sobre tudo. Outras lêem sobre tudo. Enquanto que agora, vocês vão escolher sobre o que querem comentar, neste texto que pincela um pouco tudo que aconteceu no mês de abril.

*****

Esse texto era pra ser publicado antes, mas a culpa foi de Paulo Henrique Ganso domingo...

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Oceano de gente

Existem filmes e filmes. Tem filmes foram feitos para serem assistidos apenas uma única vez. Outros são feitos para serem vistos diversas vezes e cada vez será uma sensação, uma lição, uma observação diferente. Na terça-feira de carnaval assisti Profissão de Risco mais uma vez. Já perdi a conta de quantas foram, de encontrá-lo entre uma zapeada e outra pegando na metade pro final, e pegar do início ao fim. Dessa vez, foi em dvd e vi do início ao fim.
Depois de quatro anos consecutivos saindo de Gandhy, nesse carnaval não consegui comprar a fantasia. Deixei pra fazer negócio em cima da hora. Quando a procura é muito maior do que a oferta, o preço do produto atinge proporções estratosféricas. A sede do Gandhy já fechada, enquanto que na rua tinha um ou outro cambista vendendo a fantasia por 400 reais. Para quem tinha pagado 120 reais no ano anterior, não pensei duas vezes em recusar a oferta. Voltei pra casa de mãos vazias. E fui pro camarote do Guetho pra ver o show da Timbalada no meio do carnaval.
Lá em cima no camarote, vi como é bonito ver o desfile dos principais trios, os blocos de corda (Chiclete, Jammil, Asa de Águia, André Lellys). A multidão em volta do trio e todo mundo pulando ao mesmo tempo, parecendo as ondas no mar. E com o mexe-mexe das ondas, as espumas terminam quebrando o verde do mar com um toque de branco, o mesmo acontece na avenida, com os Filhos de Gandhy na corda dos blocos, dando o tom de branco no mar de gente, escolhendo e sendo escolhidos na corda pelas foliãs do Camaleão, Me Abraça, Balada, Me Ama. Depois que os blocos de corda passam, é a vez dos trios independentes, os sem corda. São os blocos do povo, da mistura do carnaval. E no meio do povo, claro, os Filhos de Gandhy, porém não mais na corda e sim atrás do trio, distribuindo beijos e colares. E eu lá de cima, confirmando o que já vinha sempre frisando. Meu lugar é lá embaixo, na rua e não em camarote.
No filme Profissão de Risco, se não estiver enganado, nas cenas deletadas, George Jung (Johnny Depp) e Pablo Escobar estão selando uma parceria. Pablo chama George num lugar isolado para conversar pra conhecer e saber das intenções do americano antes de repassar qualquer grama de mercadoria para ele. Pablo pergunta como George ver a vida e o americano diz: "A vida é como o oceano. Tem que se afogar nele para sentir sua intensidade. Pablo gostou da filosofia de vida de Jung e fecham negócio.
O carnaval é o oceano. Um oceano de gente. Gente de todo o tipo, peixe pequeno, peixe grande. O oceano é bonito, misterioso, inspira aventura, porém ele traiçoeiro, a luta pela sobrevivência é intensa. A sensação de liberdade naquela imensidão é algo incrível. A mesma coisa é a alegria do carnaval, a beleza do mar do de gente. Correr atrás de um trio na voz de Bel, Durval, Ivete é ótimo, mas a corda em volta impõe um limite. O trio independente puxado pela voz da guitarra de Armandinho te dá prazer e o fato de não ter corda te passa uma sensação de liberdade, porém a duração de um circuito como o Barra/Ondina é de apenas 4 a 6 horas. Pode parecer muito para peixinhos de beira-mar, mas não é nada diante da imensão do oceano de gente durante os 7 dias de folia. E além disso, existem os peixes maiores e quando aquela onda termina, o instinto de sobrevivência volta a dominar.
O Filhos de Gandhy é famoso por dois motivos. O motivo real, o mais nobre é o de estender o tapete branco na avenida representando a Paz. O segundo motivo é o algazarra, como diz a música do Chica Fé, "E aí? Quer trocar meu colar por um beijo?". E as mulheres são loucas pra ganhar alguns colares. Gandhy tem uma mística para as mulheres um brilho a mais, principalmente para as de fora. É como se fosse um carimbo de que realmente esteve no Carnaval de Salvador, tem que beijar um Gandhy e voltar com pelo menos um colar na mala. E os Gandhys tocam terror mesmo. De lá de cima eu vi. Mas a definição de vida de Jung, pode ser usada para definir Carnaval vestido de Filhos de Gandhy. Sair de Gandhy no Carnaval é se afogar no oceano e sentir sua intensidade. Gandhy é respeitado e admirado por todos. Ninguém mexe com Gandhy, ninguém procura briga com Gandhy, é aquele mesmo esquema de emprego público, no qual você só é demitido se fizer uma grande merda, se você não pretende fazer isso, ficará lá até a aposentadoria que ninguém vai mexer com você.
De Gandhy, policial pede licença, ladrão não te rouba, ninguém vai procurar briga com você. Trânsito livre nos dois circuitos da Folia. Aí você pode sentir o verdadeiro espírito do Carnaval. A brincadeira segura, jogando alfazema no ar, a curtição, a risada, o colar, o beijo, onde ninguém é de ninguém e todo mundo é de todo mundo. Esse é o significado do carnaval para mim. E não a corda de bloco que separa os iguais dos iguais, os camarotes que mantém a ilusão da sociedade de que alguns poucos iguais tem que ficar acima da maioria dos iguais. Carnaval é todo mundo brincando junto na rua.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

De volta, mais uma vez!

Estou com saudades daqui. Tirei umas férias, não-programadas, do blog. Mas não apenas dele, do mundo blogueiro como um todo, parei de ler blogs, comentar. Foi uma mistura de falta de inspiração, de vontade, de cansaço, preguiça... Enfim, não estava mais afim de tocar esse barco pra frente. Mas agora estou ensaiando uma volta. É sempre assim, sumo, mas depois reapareço.
Admito que fui meio relapso com o blog nesse ano de 2009. Escrevi menos, enrolei mais, pulei datas, acontecimentos, tradições do Nove do Quinto.
Pessoalmente, gostei do ano de 2009. Não digo que deixou saudades, pois gosto de viver o presente e acho o futuro sempre fascinante, o que vem por aí? Só o futuro irá mostrar e deixa ele mostrar na hora que tem que ser, na hora certa, nada de antecipações, previsões, visões. Do passado, gosto de guardar as lembranças, tanto as ruins que geralmente servem de aprendizagem, quanto as boas para relembrar as histórias, alegrias, risadas, bons momentos.
Tradicionalmente, sempre faço um balanço do ano no último post dele. Em 2009 não fiz. Assim como sempre traço algumas metas e expectativas no primeiro post do novo ano, que é geralmente quando chego de viagem do reveillon. Coisa que não fiz em 2010. Cheguei de Pipa-RN, onde vi 2010 começar, no dia 03 e hoje já é dia 28.
Uma das coisas que não fiz em 2009 e manterei em 2010 é não seguir datas. Deixa as coisas acontecerem naturalmente. Se é pra falar de algum dia especial, falarei no dia especial. Caso contrário, nada feito. A menos que eu queira muito.
Mas pretendo continuar postando músicas, sugestões de filmes, talvez discos também. E continuarei escrevendo, dando meus pitacos sobre o que acontece no Brasil e no mundo. Pretendo também indicar lugares que já viajei, postando algumas fotos que tirei para ilustrar.
Bom, por hoje é só. Acabei de assistir O Lerdo, oops, perdão, O Leitor. Não tenho muita coisa pra dizer sobre o filme, é apenas bom, não achei nada além disso. Kate Winslet tá bem no papel, muito bem, não tiraria o Oscar da estante dela. Não achei-a estupenda, mas mereceu a estatueta. Já é tarde, amanhã é dia de branco. Até a próxima e estou de volta!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Adaptação brasileira

Estou terminando um curso de Metodologia do Ensino Superior, em outras palavras estou sendo apresentado ao mundo de falar para umas 50 pessoas num retângulo, que no bom português significa dar aula. Vou treinar um pouco com vocês: "Para o trabalho do bimestre quero que vocês assistam o filme Intrigas de Estado e acompanhem os jornais para fazermos um debate em sala de aula daqui a duas semanas. Vamos analisar esse caso do Furo da Folha de S.Paulo".


Intrigas de Estado conta um caso fictício, que está em vias de ser comprovado também na vida real. O curioso é a trajetória da história que nasceu numa série dramática da BBC, divulgada mundialmente pelos Yankees através da adaptação para o cotidiano deles e que agora foi importada pelo país que adora encher o peito e falar com toda arrogância possível: "Subdesenvolvido é o caralho, eu agora sou quase-Desenvolvido, Porra!!".

A Folha de S.Paulo dedicou uma página inteira para o artigo do ex-guerrilheiro César Benjamin, o Cesinha, um dos ícones da luta armada, que conta a história de uma tentativa de estupro protagonizada pelo atual presidente da República e um menino como o coadjuvante num cenário de presídio. Jornalismo político não é que nem o "Ok, ok!" do Ego que quando publica uma nota, de que o casamento de fulaninho com fulaninha está em crise, mas que as partes envolvidas corre para o twitter para desmentir tudo em tempo rela e em seguida a foto de Sicrana, mostrando o samba no pé e a calcinha, na quadra da escola de samba, passa a ser a machete de destaque do site, ficando tudo por isso mesmo. A Folha não tem vocação para esse papel, logo o roteiro da série e do filme será transcrito para os jornais e, posteriormente aos furos, contados nos telejornais pelas próximas semanas. Porém, se isso não for comprovado, é melhor fechar a Folha, porque depois de uma "bola murcha" dessa, deveria entrar na votação do Fantástico depois dos lances da última rodada do Brasileirão.

Não dá pra imaginar que um jornal, do porte da Folha, publique um artigo com esse teor sem ter ao menos uma dupla como Cal McAffrey e Della Frye a frente dessa reportagem e com a história toda na ponta dos dedos. Eles devem ter inúmeras provadas guardadas a sete chaves no cofre do prédio, esperando o tempo certo pra irem pra sala de impressão. Porque bancar uma coisa dessas e depois meter o rabo entre as pernas e sair de fininho vai ser muito feio.
Quanto ao filme, vale a pena a diversão, é um thriller político muito bem embasado.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sétima Arte


Uma obra de arte é uma obra de arte e deve, orbigatoriamente, ser vista como uma obra de arte. Clint Eastwood é um gênio como Pablo Picasso, Ludwig van Beethoven, Leonardo da Vinci, Wolfgang Amadeus Mozart entre outros grandes gênios da história da humanidade. E os filmes dirigidos por Eastwood devem ser vistos como obra de arte. Depois que assisti, entendi perfeitamente porque o cinema é chamado de sétima arte.

É fácil perceber quando um diretor é genial e quando um diretor é comum e trabalha focado nas bilheterias ou de olho no Oscar. Por exemplo, a interpretação e adaptação de um roteiro pode ser feita de diversas formas, mas os que caem nas mãos de Eastwood são transformados em grandes lições de vida ou críticas a sociedade. Aliado a isso, tem o toque do gênio na filmagem, movimentação da câmera, fotografia e atuação dos atores.

Eastwood é ator e diretor, por isso sabe como ninguém o que pode ser feito por um ator e o que não pode. Ele sabe extrair a seiva de cada um do elenco. Angelina Jolie está impecável na pele de Christine Collins, a mãe do garoto desaparecido. E nos bônus ela disse que só trabalhará com Eastwood. E o grande diretor, também gostou dela, ao afirmar que Angelina entrou para o time dele.

O próximo filme que verei como uma obra de arte é O Leitor. Não porque o filme inspira a isso, mas simplesmente porque quero ver como Kate Winslet tirou a estatueta do Oscar das mãos de Jolie.
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Estou inaugurando hoje uma nova seção no Nove do Quinto, a Sétima Arte, que apresentará algumas obras de arte que eu vi. É redundante dizer que recomendo, isso já está implícito. Não são filmes comuns, para serem assistidos se entupindo de pipoca. O foco não deve ser outro senão a obra. A atenção na obra não deve ser rivalizada com algo que esteja próximo da poltrona, no máximo um líquido para molhar a garganta.
Recomendações de filmes? Um dia vai ter, porém não será nessa seção. Pensarei em um nome apropriado para ela. Mas haverá essa separação do joio do trigo, da obra de arte do filme. Afinal de contas, não devemos confundir as grandes obras do mestre Picasso com a grande pica de aço do mestre de obras.

sexta-feira, 26 de junho de 2009

Deram a descarga

A última semana foi semana de pós-graduação para mim. Num dos dias, o professor passou um trecho do filme Sonhos de Akira Kurosawa. Era a última parte do filme. Não conheço exatamente a estrutura do filme, pelo que encontrei na internet, deve-se tratar de uma reunião de contos. O trecho do filme mostrava um viajante, mochileiro chegando num vilarejo que vive numa interação direta e saudável com a natureza.
Assim que o mochileiro chegou, ele encontrou um ancião que no decorrer da conversa levantou com toda a saúde e firmeza dizendo que já tinha passado dos 100 anos de idade. Porém, o que mais me impressionou foi a visão do velho sobre a vida urbana. Está tudo muito errado. Os urbanóides vivem da forma mais complicada e autodestrutiva possível. As pessoas simplesmente despejam excrementos, produtos químicos, lixo na própria água que bebem. Mas isso é até lógico, pois é mais fácil e prático construir enormes estações de tratamento de água do que não poluir os rios e lagos.
A vida não é complicada, de jeito nenhum. As pessoas é que gostam de complicar a vida enchendo a cabeça dos outros e a própria de pensamentos vazios, de idéias mirabolantes, que a felicidade está no dinheiro, que as pessoas precisam de roupas caras, carros velozes e luxuosíssimos, iates gigantescos, helicópteros para serem reconhecido pelos outros e não pela simples companhia, da risada demorada, das conversas. Para você ser alguém, você precisa trabalhar e ganhar dinheiro.
A sociedade dita as regras, molda as pessoas ao bel prazer dela e as que não se enquadram ou ficam mandam todo mundo a merda ou ficam loucas. Quando isso acontece, ela trata de execrá-las, humilhá-las, julgá-las e dependendo do julgamento, o veredicto é a morte nas trevas da solidão com o atestado de maluco, excêntrico. É engraçado, a sociedade projeta as pessoas a serem gananciosas, só pensarem em dinheiro, para depois quando o cara tiver rico, virar pra ele e dizer que ele é metido a besta, arrogante. Não ser arrogante para ela é escancarar as portas da casa para uma câmera registrar o cara acordando, lendo o jornal e tomando café. Ou saindo para academia ou simplesmente dando um passeio no parque com a mulher e os filhos. E para justificar a (in)sanidade disso, vem com o queixo de que se a pessoa não quisesse aquilo que ela seguisse qualquer outra profissão e não aquela de celebridade.
Enquanto isso, os Frankensteins da sociedade tem de estar sempre se reinventando, mostrando a calcinha toda vez que vão descer do carro, comprando jatinhos, ilhas, tirando meleca do nariz. Aí eles ou entram na onda ou piram. Os que se mantêm fortes, não sucumbindo à lavagem cerebral, procuram o isolamento e assinam o atestado de loucos, excêntricos, egoístas por não dividir com o resto do mundo a sua vida amorosa, quando foi no shopping, onde comprou o pão, que horas foi no banheiro pra fazer o número 2. Tem uns que fazem de tudo para aproveitar o tempo perdido e começam a comprar parques de diversão aos 30, 40 anos para subirem na montanha russa e ficar dando voltas e voltas até vomitar, que nem as crianças fazem e depois se encher de brigadeiro, algodão doce, pipoca, sem que ninguém apareça com uma câmera fotográfica para registrar a cena e postar na internet segundos depois.
Se fosse normal viver de forma simples como o ancião japonês disse, sem engarrafamentos, poluição, dinheiro, talvez Michael Jackson tivesse sobrevivido a “parada cardíaca” fulminante que acabou de ter aos 50 anos de idade.