A Fórmula 1 está caminhando para ter um novo Schumacher. Um Schumacher que não ganha porque ainda por cima tem um carro de outro planeta como teve Alain Prost. O novo Schumacher lembra um saudoso Ayrton Senna que é quem dá o brilho ao mundo milionário, carrancudo, e brilhante para os habilidosos, que é o da Fórmula 1.
É exatamente isso que está fazendo Fernando Alonso, que trilha a passos firmes para o seu terceiro título. Tem um jornalista esportivo chamado Flávio Gomes, que adora automobilismo, carro antigo, escrever, DKW e Lada, sendo que esses dois últimos sem ordem definida de preferência. Gomes se refere a Fernando Alonso de uma forma muitíssimo bem sacada, Fernandinho, El Fodón de las Astúrias, em referência a origem asturiana do piloto.
Amanhã acordarei cedo em pleno dia de domingo para assistir a mais uma prova de que Fernandinho é de fato o El Fodón de las Astúrias. Quando tudo parecia caminhar para um triângulo amoroso entre Mark Webber, Sebastian Vettel e Lewis Hamilton para ver quem conquistará o título, Alonso quando todo mundo já havia dito que a Ferrari não tinha um bom carro e que a classificação indicava um desgarramento do pelotão da frente, o espanhol disse: “Eu estou na briga”. Muitos não deram a devida importância, a maioria deu risada e outros tiraram um sarro. Porém o GP da Itália, a casa da Ferrari onde quem ganha guiando uma Ferrari tem garantido um lugar especial no coração dos torcedores vermelhos e ganhar tendo um carro pior do que os adversários faz com que a admiração vire paixão, mostrou que Alonso botou a faca nos dentes e que se o campeão não for ele, sairá quase morto da briga.
Fernando Alonso tem que fazer algo que Kimi Raikkonen fez em 2007 quando ficou com o título se aproveitando dos holofotes estarem todos em cima do duelo de garagem dele com o estreante Lewis Hamilton na McLaren. Como os ingleses preferiram escolher com o coração, o filhinho, o finlandês ficou com o título. Já a Ferrari, podem criticar à vontade, mas aqui o profissionalismo impera acima de tudo, isto é, escreveu não leu o pau comeu e Alonso mostrou que a sua leitura está em dia, assim como as tarefas pra casa e a pesquisa extra também estão em dia. E por isso ganhou o polêmico GP da Alemanha, curiosamente na casa do alemão que simplesmente não tinha adversários. Aqueles anos mostraram a disciplina e o rigor oriental dos italianos que exageraram na dose, já que uma vitória a menos e outra a mais apenas influenciaram na data da quebra de cada recorde. E dessa vez acertaram a dose com muito sangue-frio.
Vou acordar cedo na manhã de domingo. Estou com sono, um pouco cansado, precisando descansar, mas não posso perder de jeito nenhum a largada do GP de Cingapura marcada para as 9h da manhã de Brasília. Tudo indicava um banho da Red Bull, só que eles tem apenas o melhor equipamento, quem tem o que realmente faz a diferença é a Ferrari. Na última sessão do treino classificatório, Fernando Alonso conquistou, no braço, a pole-position da corrida de amanhã. E por isso ela se torna imperdível. É uma das corridas que Fernando Alonso precisa ganhar para entrar no seleto grupo dos cerebrais Tricampeões.