quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O mundo dá voltas

Lembro da primeira vez que vi um jogo no estádio do Morumbi. A minha festa começou ao entrar no avião. Quatro anos, raramente utilizava o transporte aéreo, então toda vez que entrava na invenção de Santos Dumont era uma fascinação infantil.

Em São Paulo só deu tempo de deixar a mochila no hotel e seguir para o estádio. Claro, a terra da garoa também é a terra do engarrafamento. O táxi parou próximo ao estádio e o resto foi andando, até que pude avistar o gigante imponente Cícero Pompeu de Toledo. Na porta, uma cervejinha para brindar o estádio. Lá dentro, passei alguns minutos admirando a festa da torcida, o gramado.

A bola rolou e o sonho parou aí. Logo no início do jogo Josué disputa uma bola aérea e... Cartão vermelho para o volante são-paulino. Já era o sistema defensivo do São Paulo. Alguns minutos depois, alguém que acompanhava o jogo pelo rádio disse que o volante tricolor acertou uma cotovelada no adversário. Logo no início do segundo tempo, o adversário abriu o placar e ampliou menos de 10 minutos depois. O São Paulo veio diminuir aos 30, mas não conseguia fazer nada no jogo, que terminou assim. São Paulo 1 x 2 Visitante.

Deixei o estádio triste com a derrota e pelo gol do São Paulo ter sido do único zagueiro do elenco que eu queria ver longe do Morumbi, Edcarlos. Era o primeiro jogo da final do campeonato mais importante do continente, a Libertadores. Não tinha grandes esperanças de uma virada, o segundo jogo era na casa do adversário que tinha a vantagem de perder até por 1 gol de diferença. Foi uma ducha gelada no meio da alegria de ver um jogo no Morumbi.


Sei bem o que essa menina (linda, por sinal) sentiu. Eu viajei até São Paulo, ela viajou para outro continente. Minha viagem durou apenas duas horas, a dela vinte. No meu caso, meu time perdeu para outro time grande. No caso dela, o futebol foi ainda mais cruel, o melhor perdeu para o mais fraco. Na regra do futebol, ganha quem faz mais gols e não necessariamente será o melhor. E o desconhecido, até então, Mazembe, do Congo, fez 2 gols no Inter e não tomou nenhum. Não importa se D’Alessandro e Tinga são uns monstros no meio-campo, se Kleber cruza com os pés como se fosse com as mãos, se Giuliano é um jovem promissor. O que importa é que Kabango e Kaluyituka balançaram as redes do gol de Renan. Mas a dor da derrota é a mesma, a perda de um campeonato.

Pior do que ver uma eliminação prematura do time num campeonato importante, como é o Mundial Interclubes, é ter que voltar e ouvir as gozações do rival. Os gremistas fizeram festa em Porto Alegre com a derrota do Mazembe. E a rivalidade de Grêmio e Inter não tem igual, é a pior que existe no Brasil. Ambos tem 2 Libertadores e 1 Mundial? Sim. Ambos foram a 2 Mundiais e voltaram com a mão abanando no último? Sim. Mas os gremistas já botaram no Twitter que estão invicto em Mundiais, perderam o título de 95 para o Ajax nos pênaltis, depois do jogo terminar empatado... E assim caminha a rivalidade.

Depois de quatro anos de uma derrota dolorida, estou vingado. O único jogo que eu fui ver no Morumbi foi São Paulo 1 x 2 Inter, o primeiro da final da Libertadores de 2006. O mundo dá voltas.

Um comentário:

Maria Olívia disse...

Eu ainda não fui ver um jogo do São Paulo no Morumbi, e espero que seja diferente comigo. De qualquer forma, o Inter estava achando que seria fácil, o Mazembe jogou bem e mereceu a vitória, os gaúchos foram incopetentes, do mesmo jeito que o nosso tricolor foi. O São Paulo quando joga bem, ganha!

Um beijo